Como atuam os “essenciais” assumindo riscos e cuidando de gente na linha de frente

Medo, preocupação, cautela, insegurança e estresse não tiram profissionais da luta

 

O momento é de priorizar atividades em casa e cumprir o isolamento recomendado pelas autoridades de saúde, medidas importantes para evitar a disseminação do vírus. Mas há profissionais na linha de frente nessa guerra contra o coronavírus. São profissionais que prestam serviços essenciais e que não tem como abandonar o posto, como médicos, enfermeiros, ambulanceiros e auxiliares de limpeza. O médico Alfredo Pio diz que os médicos e profissionais da saúde lidam com risco e responsabilidade diariamente, “a única diferença é que agora estamos sendo mais evidenciados, talvez pela grande maioria dos outros profissionais estar obrigatoriamente parada”.

Alfredo diz que o que o deixa desconfortável, como a mulher que é enfermeira, é justamente expor ao risco os familiares e amigos, “por isso nos preocupamos em mantermos certos cuidados quando não estamos em ambiente de trabalho”.

Mesmo diante desse quadro desconhecido e assombroso, Alfredo diz não ter medo e não se arrepender da profissão que escolheu. “Acho que preocupação é a palavra mais bem colocada para o momento. Preocupação se vamos realmente conseguir controlar o avanço da doença com todas as medidas que estão sendo tomadas, se já estamos armados da melhor conduta a fim de preservarmos a vida de todos os infectados.”

O enfermeiro Jacó Braite diz que na saúde pública a enfermagem é de vital importância porque chega a ter mais contatos com os pacientes do que o próprio médico, “mas as pessoas não estão levando isso a sério. No transporte público nos olham como se fossemos os transmissores do coronavirus, quando na verdade somos os salvadores, porque usamos todos os EPIs e fomos treinados para seguir rigorosamente as orientações das normas de segurança.

À exemplo de Alfredo, Jacó também diz não ter medo do coronavírus e também não se arrepende da profissão escolhida. “Não tenho medo. Comecei a trabalhar na época em que a Aids era doença nova. Tenho 30 anos de profissão, gosto do que faço e se eu fosse jovem hoje escolheria a mesma profissão.”

O ambulanceiro Eduardo Lima diz que os profissionais da saúde tem que se proteger para ajudar os outros e para tanto usam rigorosamente todos os EPIs já que correm o risco de se contaminar.

Sendo, potencialmente, um agente de transmissão do vírus Eduardo diz que tenta evitar ao máximo o contato. “Quando chego em casa vou direto para o banho, ponho a roupa para lavar e me mantenho afastado, evitando contato muito próximo”.

Sobre ter medo desse quadro desconhecido e assombroso, Eduardo diz ter medo, mas o que tiver que ser feito será feito. “É o meu serviço. Foi a profissão que escolhi, estou nela há 16 anos e se tivesse que escolher novamente, mais uma vez eu escolheria ser ambulanceiro”, pontua.

A auxiliar de limpeza Ivanete Mendes França diz que tem enfrentado a responsabilidade e o risco do coronavírus tomando todos os cuidados e usando todos os EPIs. “Além disso, limpo todos os dias o Centro de Saúde, onde trabalho, como se tivesse limpando a minha própria casa para cuidar da nossa segurança e da segurança das pessoas que usam o serviço”.

Ivanete diz ter preocupação em contrair o vírus e contaminar amigos e familiares, “mas ao mesmo tempo me sinto feliz de estar ajudando a população. Eu tenho me afastado das pessoas que convivo.”

Quanto a ter medo da doença, Ivanete diz que “é um medo mais alheio. É mais com as pessoas do que comigo mesma. Tenho amigos com problemas de saúde e que pertencem ao grupo de risco, então temo por eles, mas quanto a minha profissão não me arrependo, sei que estou trabalhando para a segurança de todos. Acredito que ninguém que atue na saúde se arrependa”.

Juliana Alcazas, assessora de Saúde de Monte Aprazível, diz que o período é um momento de organização, de entendimento e busca de conhecimento para nortear as ações de saúde e enfrentamento do coronavírus.

Para Juliana, há um clima de insegurança em relação ao contágio, mas diz tomar medidas de proteção para evitar “qualquer exposição com aqueles que vierem a ter contato com a gente”.

Ela diz não ter medo por não estar diretamente dentro de um hospital e quase não ter contato com os pacientes. “Todos estão sujeitos a se contaminar se não tomarem os cuidados necessários”, lembra.

A enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Monte Aprazível, Élida Curtulo Fernandes, diz que no último mês foram tantas informações, adequações e dúvidas sobre o que estava por vir que toda a equipe se mobilizou para organizar os serviços, a fim de entender e enfrentar esse cenário. “Sempre há insegurança com o desconhecido, mas estamos buscando conhecer e aprender para nortear novas ações para enfrentar da melhor forma possível esse momento e contar com a dedicação e apoio de todos os envolvidos para tornar esse processo mais fácil”.

Categorias: Geral