Venda online não funciona; comércio vende até 90% menos

A flexibilização parcial de abertura de estabelecimentos comerciais tem simbolizado os primeiros passos para a retomada da economia, apesar das vendas terem caído cerca de 90% durante o isolamento social.

Maria Inês Andreta Paiola, presidente da Acima (Associação Comercial e Industrial de Monte Aprazível), diz que a flexibilização parcial do comércio de atender sem que o cliente entre na loja tem ajudado “um pouco. É melhor do que ficar fechado. Ajuda nos recebimentos de vendas efetuadas antes da pandemia, porque no meu segmento que é de roupas, as vendas caíram em 90%. Alguns segmentos tiverem queda menor como o de tecidos em razão da confecção de máscaras, mas de modo geral houve queda acentuada nas vendas”.

Edmundo Maia dos Santos, presidente da Acit (Associação Comercial e Industrial de Tanabi), também diz que a flexibilização parcial de abertura do comércio “tem ajudado principalmente as lojas que possuem crediário próprio no recebimento dos carnês. No mais tem funcionado de forma precária, o atendimento em que o lojista leva produtos até a residência do cliente e existe ainda o ajuste dentro das peculiaridades do comércio local de atendimento interno de uma pessoa por vez”.

Edmundo diz que a queda nas vendas para as atividades não essenciais foi de cerca de 70% a 80%. “Isso para empresas que procuraram atender no sistema de venda na residência do cliente e venda por delivery, mas várias empresas não conseguiram realizar trabalho desta forma e para estas não houve vendas. Já para os setores considerados essenciais, a queda foi entre 50% a 60%, pois além da restrição quanto a forma de atendimento, tivemos a redução no fluxo de pessoas e queda na renda”.

Abrir parcialmente ajudou o comércio, mas os comerciantes acham que por normas de segurança ele poderia ser reaberto inteiramente. “Em cidades como Monte Aprazível, que não tem nenhum caso confirmado, o comércio deveria ser reaberto, porque é difícil ficar fechado. Claro que teriam que ser tomadas todas as medidas de prevenção e higienização, porque as vendas pela internet e telefone tem dado pouco resultado, porque, no nosso caso, as pessoas não estão comprando roupas novas uma vez que não tem onde ir e não podem sair de casa. Estão desestimuladas. Estão apreensivas pensando em como ficará o futuro, só estão gastando com comida e medicamento”, enfatiza Maria Inês.

Edmundo também deseja a reabertura total do comércio. Ele diz que “é extremamente prejudicial ao comércio e a manutenção nos atuais termos, principalmente porque a situação já perdura há mais de um mês e as empresas já utilizaram eventuais reservas, concederam férias, fizeram ajustes, tentaram de tudo com a redução drástica do faturamento. Pretendiam ganhar fôlego com o Dia das Mães, mas da forma como está fica difícil. Sabemos que não é possível avançar de forma abrupta, mas com a abertura gradual que vem acontecendo, com a permissão de abertura de algumas atividades priorizando a segurança, tanto do empresariado, como seu colaboradores e clientes com a desinfecção do ambiente no início e após o atendimento, uso de máscaras e atendimento de um cliente por vez creio que já poderia abrir totalmente”.

Edmundo também diz que as vendas por internet e telefone tem surtido pouco resultado. “Até porque para as vendas on line são necessárias uma série de adaptações para que a venda ocorra, com disponibilização de imagens do produto, detalhamento de informações sobre ele e forma de pagamento. O Sebrae disponibiliza as formas de adaptação para vendas on line, mas acaba sendo um mercado pouco explorado”.

Adiando pagamentos

Uma pequena comerciante, que preferiu não se identificar, diz que inaugurou a loja há quatro meses e que quando ia começar a recuperar seu giro teve início a pandemia. Resultado: está adiando o pagamento de aluguel, fornecedores e de impostos. “Não tem o que fazer porque as vendas estão zeradas e não recebi nem a metade dos recebimentos que tinha. Os pequenos como eu não tem reserva, trabalha uma semana para pagar as despesas da outra. E eu não tenho funcionários. Trabalho sozinha. Essa é uma preocupação a menos”.

Ela diz que tem negociado com fornecedores o adiamento dos pagamentos e que eles têm sido compreensivos. O mesmo não acontece com o proprietário do imóvel onde ela montou a loja. “Estou tentando reduzir o aluguel, mas ele está irredutível, disse que vai parcelar, mas isso não resolve porque só fará as contas se avolumarem. Acho que as pessoas nesse momento tinham que ser mais compreensíveis. Minha preocupação é que por enquanto tenho recebimentos que devem entrar, mas como as vendas estão paradas dentro de pouco tempo os recebimentos deixarão de entrar e aí não sei o que vou fazer”, preocupa-se.

A comerciante acredita que a retomada no seu comércio deve se dar apenas no ano que vem. Fato que também a preocupa. “Até lá não sei o que vou fazer. Não posso comprar nada. Vou ter que trabalhar com o que tenho. Para quem começou agora como eu foi a pior hora. Quem poderia imaginar que aconteceria uma situação dessa. Estava indo até bem, até parar”, encerra.

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