Zé Francisco se nega a apoiar candidatos em Tanabi e admite que ainda pode concorrer

Ex-prefeito admite concorrer à prefeitura, mas diz ser mais sensato a neutralidade de delegado

 

José Francisco de Mattos Neto, o ex-prefeito e principal liderança política da oposição de Tanabi, diz ter até o início de julho para definir se será ou não candidato à eleição municipal, embora julgue mais apropriado priorizar a neutralidade política do cargo de delegado de polícia que exerce no município.

Em caso de não candidatura, a alegada neutralidade na campanha é muito mais política do que funcional. O argumento de se constranger ao ser obrigado a intervir e mediar conflitos partidários e eleitorais entre concorrentes durante a campanha como delegado, parece uma tentativa de evitar um constrangimento muito maior, que afeta a sua biografia política: o de emprestar seu prestígio político a candidatos que enxerga como sem compromisso com as causas populares, alguns deles, bolsonaristas, posição política que ele despreza.

O delegado descarta, de forma categórica, qualquer participação na campanha eleitoral não sendo ele o candidato. “Não sendo candidato, a minha opção será a carreira de delegado e só deixo a delegacia se for para alguma assessoria parlamentar de deputado do meu partido, o PC do B, o que é impossível porque o partido está fora do governo.” A afirmação é claramente no sentido de rechaçar qualquer possibilidade de apoio à candidatura do atual vice-prefeito, Fábio Ceron, ligado a deputados e ao partido do governador João Dória.

“Eu fui procurado pelo Fábio, pelo Norair (da Silveira, prefeito). Conversei com o Fábio, com outros possíveis candidatos, mas não está no meu horizonte apoiar qualquer candidato.”

Mas nesse horizonte ainda cabe a sua própria candidatura. “Tenho até julho para decidir”, aponta José Francisco para o calendário eleitoral, que ele acredita que será dilatado, com a possibilidade de adiamento das eleições.

Ao mesmo tempo que sinaliza para uma possível candidatura, José Francisco se impõem restrições de ordem pessoal e familiar. “O cargo de prefeito consome energia e tempo e eu estou vivendo um momento muito delicado com a carreira de minha filha, minha mãe com mais de setenta anos e meu pai com mais de oitenta.” José Francisco está assumindo as responsabilidades dos negócios da família, que envolvem fazendas de criação de gado, imóveis, participação societária em fábricas e distribuidoras de bebidas e outros negócios. E tem ainda o cargo de delegado.

Mas, e apesar das circunstâncias familiares, é de se levar em conta a vocação política, a biografia e as características ideológicas de José Francisco antes de duvidar da candidatura dele. Por volta dos 20 anos, herdeiro de uma das maiores fortunas regionais, se meteu com a política de uma pequena cidade, conservadora e provinciana. E escolheu, justamente, o lado não provinciano e conservador. Foi ser político defendendo causas populares, de inclusão social e distribuição de renda.

Político com esse perfil não suporta pressão. “A pressão para eu ser candidato é forte. As pesquisas feitas na cidade, também, apontam para uma vitória minha.”

Político com o perfil de José Francisco não suporta a pressão popular e muito menos a pressão do desafio. Em 2021, está muito claro para José Francisco, que as prefeituras vão administrar a miséria, resultado da crise sanitária e econômica que o mundo vive com a pandemia do coronavírus. Ser prefeito, portanto, será um desafio e tanto.

E José Francisco tem a receita para esse desafio, afirmando que o espaço público deve ser ocupado neste momento por agentes com a visão clara na definição das prioridades e a prioridade será atender às necessidades das pessoas.

“Eu jamais imaginei que a minha geração fosse presenciar uma pandemia desta natureza. Foi a maior surpresa da minha vida”, se assusta José Francisco, para quem, mais assustador, é o Brasil ter um presidente como Bolsonaro, na visão dele, incapaz de gerir os problemas de saúde e da economia “e de agir de forma irresponsável.” Ele acredita que o presidente, pela conduta irresponsável, será levado ao Tribunal Internacional para que responda por genocídio.

Para José Francisco, Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes montaram uma “máquina de matar pobres” ao formularem uma política econômica que retira direitos dos trabalhadores, achata salários, diminui investimento em saúde e educação e favorece os grandes investidores privados nacionais e internacionais.

E, segundo ele, o coronavírus ampliou exponencialmente a capacidade da máquina de matar pobres do Bolsonaro.
A possibilidade de amenizar essa tragédia pode motivar José Francisco a se decidir até julho pela candidatura.

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