Principais setores da economia regional vão ser muito afetados, diz gestor financeiro

Edmar Miguel aponta para alto fechamento de empresas e crescimento das recuperações judiciais

 

A crise financeira associada a pandemia do novo coronavirus afetou cidades da região, principalmente o agronegócio com destaque para a cultura da cana de açúcar. O gestor financeiro Edimar Luiz Miguel diz que o retrocesso econômico causado pelo coronavirus pode representar uma década de atraso. Ele diz ainda que a retração global será a maior desde a grande depressão de 1929.

Segundo Edimar, todas as cidades da região serão afetadas pela crise, principalmente o agronegócio, a agropecuária, com destaque para a cultura de cana de açúcar, mais precisamente no produto final etanol, pois está ligado ao setor de energia. “Com o distanciamento social aplicado o consumo de energia reduziu drasticamente”.

Outro setor bastante prejudicado, ainda segundo ele, é o de comércio de produtos não essenciais. “Com as lojas fechadas ou em meia porta as vendas despencaram, consequentemente trazendo bastante reflexo para as indústrias em geral. Não podemos nos esquecer também do setor de serviços, os restaurantes, lanchonetes, salões de beleza, hotéis, que também sofrerão bastante com o faturamento.”, diz.
Conforme previsão do FMI, o PIB brasileiro deverá ser negativo em mais de 5% em 2020. A retração do PIB neste nível, de acordo com ele, deve resultar num índice de fechamento de empresas comerciais e de serviços bastante alto, principalmente aquelas que não tem um fluxo de caixa organizado, como também aquelas que não possuem vendas via internet e não conta com serviços de delivery. “Provavelmente, teremos um novo recorde de recuperações judiciais em nosso país”.

Famílias

Diante desse cenário, Edimar recomenda que as famílias devam evitar gastos extras, postergando compras supérfluas, comprando somente o essencial. “Para quem é assalariado, se houver sobra, é melhor guardar em aplicação de curto prazo, uma vez que essa crise poderá não ser curta. Muitas famílias serão atingidas pelo desemprego ou por queda na renda por conta de redução nos salários”.

Para as famílias em que as despesas ficarem acima da renda mensal, a orientação, segundo Edimar, é que deverão listar todas as despesas e optarem por pagar somente as essenciais.

Para quem precisa de imóveis e já estava no planejamento pode ser uma boa oportunidade para comprar, à vista com desconto, ou a prazo porque os financiamentos de longo prazo estão com juros bem acessíveis. Já os veículos, como são bens de consumo, Edimar diz que o ideal é postergar ao máximo.

“Mas para quem realmente precisa do veículo, poderá fazer bons negócios à vista e também existem boas oportunidades de seminovos ou novos com excelentes taxas no mercado, considerando a taxa Selic a mais baixa desde sua implantação, 3% ao ano”.

Ele orienta também as empresas para manter seu capital de giro e como pagar seus fornecedores. “As empresas para manter seu capital de giro devem cortar investimentos, baixar estoques e renovarem seus créditos junto às instituições financeiras em que mantém as suas contas. Os impostos e água e luz só deverão ser postergados se for de extrema necessidade, sendo que passada a pandemia estarão acumuladas, correndo o risco de ficar sem o fornecimento de água, energia, bem como a negativação da empresa”.

Os pagamentos aos fornecedores não deverão, segundo Edimar, serem interrompidos. “Faltando caixa, em comum acordo, deverão fazer os pagamentos parcelados. Novos pedidos somente deverão ser realizados em caso de reposição de mercadorias vendidas”.

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