Isolamento social aumenta consumo doméstico e anula efeito da deflação nos alimentos

Apesar da inflação negativa de abril, produtos da cesta básica tiveram aumentos significativos no varejo

 

Quando o governo anunciou que o país teve deflação, ao contrário da inflação, um movimento de queda no custo de vida, observado pela variação de preços nos produtos e serviços medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como sempre, o consumidor torceu o nariz. E com razão.

Afinal, ele não encontrou nas gôndolas dos supermercados nenhum produto para colocar no carrinho da compra do mês que tivesse diminuído de preço, mesmo que fosse alguns centavos que representasse o índice negativo de 0,31% anunciado.

A queda nos preços anunciados pelo IBGE, de 0,31%, é a segunda verificada em 22 anos, quando em 1998, a inflação ficou negativa em 0.51%. O fenômeno de abril deste ano, na verdade, foi mascarado pela redução nos preços dos combustíveis, de quase 10%, em função da queda no consumo no mercado interno e no preço internacional do petróleo.

Ao contrário de vilões, mas vítimas tanto quanto os consumidores, nos supermercados, onde a população sente mais as oscilações, pois são neles que estão a comida das quatro refeições diárias, os preços da cesta básica dispararam, com altas significativas.

Gustavo Henrique Ogawa, diretor comercial do Supermercado Ivone, diz que “nessa época de pandemia não teve praticamente nenhum produto com preço reduzido. Os fornecedores na maior parte dos casos até aumentaram os preços. Produtos de cesta básica, como arroz, feijão, farinha todos tiveram aumento de preço, alguns até bem excessivos, e carne também teve um pouco de aumento de preço”.

Eloiza Dantas Molina, proprietária do supermercado SuperEconômico, também menciona a alta de preços do arroz, feijão e leite, produtos que compõem a cesta básica. Mas de acordo com ela a carne de porco e a carne de vaca “baixaram um pouquinho”.

Segundo ele, num primeiro momento da pandemia, ocorreu um aumento nas vendas, quando o consumidor receoso, estocou mercadorias. Segundo Gustavo, com a garantia do abastecimento, o movimento voltou ao normal, para logo em seguida, dar um repique por causa do isolamento, com as pessoas consumindo mais alimentos e bebidas. “Os clientes entraram num processo normal de consumo agora, porém, estão em casa, o que fez com que o consumo aumentasse.

As vendas continuam boas ainda, apesar de não sabermos até quando os clientes terão dinheiro para poder consumir”.

Eloiza diz que “passado o susto inicial” o consumidor está comprando normalmente. “No começo do isolamento social, com medo de faltar produtos, o consumidor estocou produtos, mas agora o movimento se normalizou, o consumidor está comprando somente o necessário”.

Gustavo e Eloíza disseram que as vendas por impulso diminuíram. “Temos recebido muita encomenda por telefone, então as pessoas deixam de consumir por impulso, o que às vezes acontece na compra presencial quando a pessoa vê um produto e lembra de levá-lo”, diz Eloíza.

Os produtos supérfluos, aqueles que dão maior lucratividade aos supermercados, caíram, segundo Gustavo. “Produtos de cesta básica a gente basicamente faz o giro com lucratividade muito baixa, por isso embora os supermercados estejam cheios e vendendo bastante, a lucratividade caiu muito, devido a se vender produtos só de consumo essencial. Produtos supérfluos como chocolate e biscoitos, que não dependem da obrigação de consumo, caíram bem e os produtos da cesta básica e de limpeza aumentaram bastante”.

Eloíza diverge um pouco de Gustavo. Ela diz que o consumo de feijão caiu em razão do expressivo aumento de preço que o grão registrou e diz que aumentou a venda de biscoito e doces.

Categorias: Economia