Agrícola testa baunilha em consórcio com seringueira

A Escola Técnica Estadual (Etec) Padre José Nunes Dias, antiga escola agrícola, em parceria com a Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Rio Preto está desenvolvendo um projeto de consorciamento de baunilha com seringueira. O experimento, segundo a engenheira agrônoma e pesquisadora Maria Vitória Cecchetti Gottardi Costa, da Fatec de Rio Preto, poderá incentivar produtores de seringueira que estão com áreas de pouca produção de látex.

A baunilha, segunda especiaria mais cara do mundo, perdendo apenas para o açafrão, precisa de sombra para se desenvolver, daí, segundo a pesquisadora, a ideia de testá-la em consórcio com a seringueira para ver se ela se adapta bem e produz.

Maria Vitória diz ter observado que muitos heveicultores na região de Rio Preto desmotivaram-se da produção de seringueira, mas podem aproveitar a área do seringal para plantar a baunilha, já que a especiaria vai agregar valor à propriedade, uma vez que é cara e o produtor terá duas culturas em uma mesma área.

O manejo da planta foi realizado através de tutoramento da baunilha, uma vez que se trata de uma planta trepadeira. Os tratos culturais até o momento se resumiram, segundo a pesquisadora, em um sistema de irrigação por gotejamento e adubação orgânica com esterco. Indagada sobre os custos de implantação, Maria Vitória diz que ainda não tem esses cálculos.

O mercado da baunilha é amplo. A especiaria pode ser usada na produção de chocolates, essência de baunilha e baunilha in natura (favas) para utilização na culinária.

A baunilha, que é uma espécie de orquídea, foi plantada na Etec Padre José Nunes Dias, onde a pesquisadora utilizou uma área de quatro linhas de seringueiras plantadas no local. Ela conta que “estão em teste dois tipos de plantações para observar como as plantas se desenvolvem melhor. No sistema agroflorestal foram plantadas 20 orquídeas e em outro espaço outras 20 plantas estão sendo cultivadas com a cobertura de um telado”.

Maria Vitória diz que “até a presente data a baunilha está se desenvolvendo bem”, mas apesar disso o projeto ainda não foi estendido aos produtores porque, segundo diz, “queremos ter certeza que a planta irá se adaptar e produzir”.

Mas, uma vez concluído o experimento com êxito, Maria Vitória diz que o produtor de seringueira pode utilizar as bordas do seringal para cultivar a baunilha. “Se forem seringueira muito fechadas, é possível que a planta com o fruto da baunilha não se desenvolva bem, uma vez que a orquídea precisa de 50% de sombreamento”.

Por ser uma trepadeira, os plantios de baunilha devem ser feitos com auxílio de estacadas para a propagação das vagens onde se encontram os frutos da baunilha. O tempo de florescimento das orquídeas, segundo a pesquisadora, é de três a quatro anos para que o produtor possa colher os frutos e depois fazer a cura das favas de baunilha utilizadas comercialmente na gastronomia para o preparo de sorvetes, chocolates e bolos.

O experimento com o cultivo da baunilha também é monitorado pelo professor Antônio Donizetti Sônego e pelo técnico agrícola João Aparecido Chabole, ambos da Etec.

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