Setor de pescado vive Quaresma prolongada com aumento de vendas no isolamento social

Consumidor muda hábitos alimentares optando por peixe, proteína saudável que eleva a imunidade do organismo

 

O momento está sendo o melhor pós Páscoa do histórico de vendas das peixarias. “Foi a melhor Páscoa em termos de vendas, nem abri no sábado, véspera do domingo de Páscoa, por falta de estoque e o mais importante é que elas continuaram depois da Quaresma, que é período mais ruim de vendas”, comemora o comerciante do setor, Lucas dos Santos.

O sucesso de vendas não está limitado a pequenas peixarias. A Mar & Rio, um dos maiores entrepostos de pescado e de alimentos da cozinha oriental, com sede em Rio Preto, perdeu faturamento com restaurantes fechados, mas as vendas seguem saudáveis nos supermercados parceiros em todas as regiões do país e nas loja de varejo do entreposto, segundo a diretora de marketing da empresa, Marcela Zanoto.

Lucas não tem dúvidas de que as vendas generosas têm tudo a ver com o coronavírus e o isolamento social. Para ele, as pessoas estão informadas de que as complicações mais severas ocorrem com pacientes portadores de doenças crônicas e com baixa imunidade. “Todo mundo passou a ter uma preocupação maior com a dieta alimentar, com alimentação mais saudável e o fortalecimento de sua imunidade, tanto é que peixe mais vendido tem sido o salmão, com maior concentração de ômega 3, gordura que eleva a imunidade. O salmão não é tão barato como outros peixes e mesmo assim está vendendo muito.”

Além da preocupação com a imunidade, Lucas acredita que o isolamento também ajudou para o aumento do consumo de peixe. “As pessoas em casa passaram a comer mais. Num primeiro momento começaram a consumir as chamadas bobagem, lanches, salgadinhos, biscoitos industrializados. À medida que o isolamento foi se prolongando, apareceu a consequência na forma de aumento de peso, aí surgiu a opção por uma dieta mais saudável, sem gordura, sem frituras, mais leve, recaindo a escolha por legumes, frutas, grãos e peixes, mais apropriados.”

O isolamento, ainda segundo Lucas, fez com as pessoas tivessem mais tempo para a cozinha e mais receio com o lazer, idas noturnas à lanchonetes, sobrando mais dinheiro. “Não só as famílias, mas pequenos grupos de amigos passaram a se reunir em casa à noite, nos finais de semana e descobriram que poderiam estar juntos e gastando menos com um jantar, um almoço, do que gastavam com lanches na rua. Então, passaram a procurar na internet receitas diferentes e acabaram descobrindo os peixes e frutos do mar, pratos fáceis de preparar, diferentes, elegantes e que sai barato.”

Mesmo comercializando produtos essenciais, não estando obrigada a atender de portas fechadas, a Mar & Rio aproveitou o momento para implantar o sistema de delivery no varejo, como mais uma ferramenta para a comodidade para o cliente e para a sua segurança sanitária. “Nesse serviço aplicamos todos os cuidados para manter a qualidade e higiene por se tratar de um produto bastante delicado”, lembra Marcela.

A empresa intensificou em suas redes sociais a divulgação de informações sobre as qualidades nutricionais e funcionais dos produtos que comercializa. “Criamos nas redes sociais o Viva mais Saudável! Viva Mar & Rio Pescados, como forma de incentivo e informações para uma vida mais saudável, através da dieta alimentar, com informações sobres estudos e pesquisas que comprovam o quanto ganhamos em saúde e qualidade de vida, com o consumo de pescados, azeites, alimentos mais leves e saudáveis, como da cozinha horizontal e mesmo o vinho”, lembra Marcela.

A diretora de marketing lembra que os benefícios não se limitam ao bem estar do corpo, mas também à saúde financeira. “Hoje o consumidor pode encontrar uma grande variedade de pescados com preços muito mais acessíveis que outras proteínas. A sardinha, por exemplo, alimento muito rico em ômega 3, é muito barato.”

Lucas acredita que, mesmo com o fim imprevisível do isolamento social, o consumo de peixe vai continuar em alta. “Estou convicto de que o peixe fará parte do novo normal. Mesmo que o surto da doença diminua, sem uma vacina, o vírus vai continuar circulando, contaminando pessoas e os hábitos e costumes adquiridos com o isolamento vão permanecer, como novas formas de convivência social, hábitos alimentares mais saudáveis, maior preocupação com a saúde, maior permanência em casa, com mais reuniões entre parentes mais próximos e amigos mais íntimos.”

O presidente da Mar & Rio, o monte-aprazivelense Júlio César Antônio, encara o momento econômico com otimismo. Segundo ele, a cadeia do pescado é muito importante para o país em função para a segurança alimentar, preservação do meio ambiente, geração de renda para pequenos produtores rurais e pescadores autônomos de todo o mundo. “Comercializamos dois milhões de quilos de peixes por mês, provenientes da região, da América Latina, Europa,

Ásia, fruto do trabalho de agricultores e pescadores. É uma benção perceber que não seremos tão afetados e podemos continuar contribuindo para a recuperação de outros setores”, ressaltou Júlio.

A Mar & Rio contribui, mensalmente com doze entidades assistenciais da região e por conta da pandemia doou R$ 50 mil em filés de tilápia para o Hospital de Base e Santa Casa de Rio Preto.

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