Mercado da construção não foi afetado; negócio com usados e locação sentem a crise

Lançamentos novos tem demanda; aluguéis estão sendo revistos e há pouca demanda para imóvel usado

 

A paralisação de uma série de atividades em decorrência da pandemia de coronavírus ocasionou a busca por renegociação dos contratos de aluguel em Monte Aprazível e Tanabi. As imobiliárias das duas cidades vêm recebendo pedidos de inquilinos para flexibilizar os pagamentos de imóveis residenciais e comerciais. O principal motivo que leva os locatários a realizarem este movimento é a perda parcial ou total de renda.

Nora Neide Paz Landin Alves, da imobiliária Casa Branca, em Monte Aprazível, diz que em razão da crise econômica gerada pelo novo coronavírus tem existido procura por negociação dos valores de aluguéis. “Não foram muitos casos, mas tem havido pedidos e em grande parte houve redução. No entanto, cada caso é um caso. As reduções são temporárias e em alguns casos o percentual descontado será reposto no futuro. Tivemos vários tipos de negociação”.

Edmundo Maia dos Santos Junior, da Santa Rosa Imóveis, de Tanabi, diz que em razão da pandemia, com redução da atividade econômica, foi aberto canal de negociação, buscando o ajuste de aluguel, também afirmando que há variação de caso para caso, “buscando a melhor solução entre proprietário e inquilino e tem sido satisfatória”.

Os percentuais de desconto variam, segundo os proprietários das duas imobiliárias, entre 10% a 50% do valor do aluguel, sendo que os maiores descontos têm sido nos imóveis comerciais.

Na Imobiliária Casa Branca, Nora diz que os inquilinos residenciais sentiram mais a crise. “Os inquilinos autônomos ou que são funcionários de empresas que foram duramente afetadas pela pandemia são os que tem sentido mais a crise. Apesar que a inadimplência foi pouca”.

Já, na Santa Rosa Imóveis, segundo Edmundo, os inquilinos comerciais estão sentindo mais a crise, “principalmente os relacionados a atividades como festas e eventos, pois estão 100% parados”.

Eles também divergem sobre os novos contratos. Nora diz que “os aluguéis são relativamente baixos em relação ao valor dos imóveis, por isso acredito que os novos contratos devam permanecer na mesma faixa de preço. Não devem sofrer alterações nos valores praticados”. Edmundo diz que “já existe uma redução no valor do aluguel, justamente por conta do aumento da oferta e queda da capacidade financeira dos interessados”.

A relação de oferta e procura existe. Nora diz que “atualmente com as usinas em atividade aumenta a procura por imóveis”, fato que a faz crer que não sobrará imóveis sem locar. Edmundo diz que tem fechado contratos de locação, “mas agora a negociação do inquilino é mais intensa”.

Os negócios de compra e venda estão desaquecidos nas duas imobiliárias. Há mais oferta do que procura. Nora diz que “a compra e venda está parada. A expectativa sobre o futuro tem feito o pessoal se conter. Tem bastante oferta de imóvel para venda e pouca procura”.

Edmundo diz que “tem saído poucos negócios e de imóveis de pequeno valor e financiados”. Edmundo diz que “para quem possui condição financeira o momento é interessante para comprar, pois os valores são menores e até prazos de pagamento são aceitos. Já para quem quer vender, o melhor é esperar, justamente pela perda de valor de mercado.”

Empreendimentos

Na contramão dos imóveis de aluguel e usados está o mercado de imóveis novos. A construção civil que estava se recuperando no final de 2019 manteve o ritmo. Breno Baldin, da Baldin Empreendimentos Comerciais, diz que o mercado da construção de imóveis novos não foi afetado. “Continua normal. No início houve uma apreensão por causa da pandemia, mas passou. Nosso nível de vendas está normal”, diz.

A Baldin Empreendimentos Comerciais tem, segundo ele, vários lançamentos previstos para esse ano. “Estamos caminhando normalmente. Temos mais de cem imóveis em construção na região e como não houve bloqueio nos financiamentos e o governo antecipou o crédito para a construção tem saído vários negócios”.

Segundo Baldiin, todas as construções estão vendidas e a empresa está investindo em novas áreas. Para os próximos dias estão programados lançamentos residenciais em Poloni e Monte que somam 36 imóveis residenciais e comerciais.

Breno salienta que durante a pandemia a Caixa tem facilitado para o comprador. “A Caixa congelou as prestações habitacionais facilitando o pagamento e deixando de comprometer o orçamento familiar no período de crise e possibilitou durante a crise a utilização do FGTS mesmo o benefício já tendo sido utilizado”.

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