Sta. Casa não sabe se fica com verba de R$ 1 milhão; diretoria marca eleição em julho

Diretoria teme que exigências de aplicação específica em novo serviço afete finanças do hospital

 

Indicada pela Federação das Santas Casas, o hospital de Monte Aprazível recebeu do Ministério da Saúde recurso de R$ 1.080.000,00, que tem aplicação específica rígida e deve ser devolvida, se não usada. A verba tem como destinação referenciar a instituição como hospital/covid, ou seja, para atender pacientes contaminados que necessitem de internação em estágio não avançado.

Reunida nesta semana, a Irmandade foi notificada pelo provedor João Roberto Camargo e ainda não definiu se fica com o recurso, ou o devolve. Segundo João Roberto Camargo, os membros da Irmandade tomaram conhecimento das imposições do edital dos recursos e temem que a opção de ficar com o dinheiro venha a comprometer a sanidade financeira do hospital.

“Precisamos analisar os aspectos jurídicos do edital, quais são as nossa obrigações e onde o dinheiro pode ser realmente aplicado, sob pena de ficarmos obrigado a devolvê-lo. Está claro que podemos usar o recurso para reformar e adaptar uma ala para atendimento exclusivo a covid, mas nós precisamos de reformar instalações elétricas, por exemplo, em outras alas do prédio e não está claro que o edital permite isso”, lembra Camargo.

O provedor argumenta ainda que a criação de um novo serviço de atendimento, envolve, contratação de funcionários, equipamentos, insumos médicos, móveis e gera outras despesas. “Tudo que se relaciona ao coronavírus, é desconhecido, é novo. Não sabemos do custo de manutenção desse serviço, não sabemos do tempo de duração da pandemia, se vai ou não haver uma segunda onda da doença, quantas pessoas vão procurar o serviço hoje e quantas precisarão ser atendidas no mês que vem, no ano que vem?”, indaga o provedor.

Segundo Camargo, o elenco de incerteza deixa-o temeroso que a criação de um novo serviço venha comprometer o orçamento do hospital. “Nós estamos preparados para fechar o ano com tranquilidade financeira. Temos dinheiro em caixa para o pagamento de parte do décimo terceiro salário, que será complementado com o leilão de gado, que esse ano será feito pela internet. A diretoria tem de pensar muito para tomar a decisão de criar esse novo serviço. Não podemos correr risco de comprometer o orçamento do hospital, voltar a operar no vermelho, a acumular dívidas”, afirma.

Estatuto

Reunida em assembleia, a Irmanda modificou seu estatuto, estabelecendo nova data para a eleição e posse de seus diretores. Pelo calendário anterior, a eleição, com posse em seguida, deveria ser realizada até 31 de dezembro, para um mandato de dois anos. O novo artigo encurtou o mandato em seis meses para que a eleição fosse realizada em julho. A assembleia para a eleição da nova diretoria será marcada para a primeira quinzena do mês que vem.

Para Camargo, como os mandatos são de dois anos, a cada quatro anos, a renovação coincidia com a renovação do mandato na prefeitura, a principal compradora dos serviços do hospital. “A Santa Casa não é uma extensão da prefeitura, ela é uma entidade autônoma prestadora de serviço. A posse em períodos diferentes serve para deixar clara essa independência, para evitar a contaminação política nos dois sentidos, tornando a relação mais profissional.

Mas este não é o fator mais importante da mudança. Sempre que assumir, o novo prefeito terá seis meses para conhecer a relação da prefeitura com o hospital. Isso dá a ele tempo para conhecer a rotina da Santa Casa, saber dos serviços prestados e fazer a avaliação deles, seus custos, solicitar detalhes sobre como os serviços são prestados, fiscalizar as instalações, higiene e segurança do hospital, tomar ciência de nosso corpo clínico, das especialidades oferecidas, as base dos contratos dos profissionais da saúde e conhecer o nosso orçamento. A ideia é ter uma relação de muita transparência que servirá de base para a melhor solução no atendimento da população, que é o objetivo das duas partes”, ponderou Camargo.

A divulgação do edital de convocação para a assembleia de composição da diretoria será divulgada no final do mês. Para concorrer aos cargos da diretoria e dos conselhos fiscal e administrativo, é necessário que o pretendente pertença ao quadro da Irmandade Mantenedora.

Conforme A Voz Regional apurou com os irmãos, o provedor Camargo deve ser reconduzido para o terceiro mandato. “Eu acredito que os membros da diretoria e dos conselhos devam ser os mesmos. A mudança no estatuto foi aprovada por unanimidade, não houve discordância. É unânime também a aprovação do trabalho da atual diretoria. Tudo é feito com muita transparência, principalmente em relação à aplicação dos recursos do orçamento, o controle das despesas é muito seguro, o que tem evitado o descontrole e acúmulo de déficits. A diretoria assumiu a gestão com uma dívida de milhões e dezenas de pendências trabalhistas; a dívida foi amortizada, para menos de um milhão, as irregularidades foram sanadas. Foram feitos investimentos em reforma e adequação do prédio, em equipamentos e mobiliário ao mesmo tempo em que o houve melhora muito grande no atendimento e são os pacientes que dizem isso, que aprovam o atendimento. Eu não acredito que haverá mudança na diretoria, pode haver algum descontentamento motivado por situações políticas, mas que não são manifestados por serem irrelevantes”, confessa um irmão que prefere não se identificar.

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