Com o DEM sob controle, renatistas vão pressionar para ter Renata na cabeça da chapa

Toninho Minuci perde a corrida no partido e ela só não será a candidata se não quiser

 

O quadro eleitoral em Monte Aprazível está ganhando contorno com o DEM como contraponto a candidatura à reeleição do PP, do prefeito Márcio Miguel. Hélio Polotto, o presidente demista, defende uma candidatura sem coligação partidária, com os cargos de prefeito e vice preenchidos pela herdeira política da família Sant’Anna, Renata, e pelo empresário Toninho Minuci. Não necessariamente nessa ordem.

Hélio confidenciou a A Voz Regional que o ex-prefeito Mauro Pascoalão (PSB) está convencido da inviabilidade jurídica de sua candidatura e disposto a jogar seu peso político no apoio à chapa demista. O presidente espera que o partido encontre uma forma consensual de acomodar os dois nomes na chapa. Dentro do partido, o grupo renatista está disposto a fazer sua hegemonia na legenda pender para o lado dela.

Nem Renata, nem Minuci confirmam publicamente que são postulantes a candidatos à sucessão de Márcio Miguel, mas ambos têm dificuldades para esconder suas pretensões.

Dificuldade mesmo será acomodar as pretensões na ordem dos cargos e nessa escolha é nítida a posição de vantagem de Renata. Ela admite contar com o apoio majoritário no partido.

Porém, diz, no momento, não ser candidata nem a um cargo, nem ao outro, para se trair em seguida: “A família já está ciente e concorda com a decisão que eu tomar.” Traduzindo: mesmo esperando a chegada da primeira neta, que marido e filhos se conformem com a ausência dela em casa. “Se eu decidir ser candidata (e eleita) minha dedicação será total à prefeitura.” Toninho vai na mesma linha, confirmando o ciente e de acordo familiar, contrariando suposto desagrado caseiro e da parentela ao envolvimento dele na campanha que circula nos bastidores políticos.

Desde o ano passado são claros os sinais emitidos por Renata que pretende disputar a prefeitura. O PHS, partido pelo qual disputou a eleição de 2016, se fundiu ao PODE, presidido por Valmir Salvione na cidade. Sem o controle da máquina partidária, no início de 2020, ela se transferiu com sua brigada fiel para o DEM, de Hélio Polotto, aliado antigo de seus pais, os ex-prefeitos Wanderley e Tais.

“Eu resolvi dar uma força ao partido do Hélio, uma legenda que foi tão importante para a cidade e que hoje não tem nem representação na Câmara.” De fato, Renata fortaleceu e deu musculatura ao DEM, que com ela e seus aliados ganhou densidade eleitoral. Seus aliados passaram a controlar as instâncias burocráticas e decisórias da legenda, capazes de impor o nome de Renata para o cargo principal. Foi esse o retorno calculado do investimento político que fez.

Nos últimos quarenta anos e nove eleições, o grupo dos Sant’Anna participou de todas elas, foi derrotado em apenas quatro e governou o município por 20 anos, 16 deles com prefeito de sobrenome Sant’Anna. O posicionamento dos renatistas, segundo uma liderança que prefere manter o anonimato, fora do poder há oito anos, o grupo não irá abrir mão do posto principal para Minuci.

Toninho Minuci, ex-vice pelo PT na gestão de Mauro Pascoalão (PSB), ingressou no PV, em 2015, e chegou ao DEM às vésperas do fechamento da janela para mudança de partido, no último 4 de abril. Mesmo que tratado com deferência, Minuci, fora a vice, é um estranho no DEM. Só deixa essa condição, se Renata não quiser ser a cabeça da chapa, na visão dos renatistas.

O poder e a política trazem dissabores. Particularmente, 2019, foi um ano muito ruim para o patriarca Wanderley, situação extensiva a todo o clã. Ele foi condenado, perdeu os direitos políticos e o seu principal assessor durante o último mandato foi para a prisão por fraude em licitação. A vitória de Renata não muda o veredicto, mas serve de bálsamo ao pai perto de completar oitenta anos e de motivação para ela ser a candidata.

E não é só isso. Ela diz ver com muita satisfação o incentivo e manifestações de apoio à sua candidatura até de eleitores não tão próximos de seu círculo. Ela aponta também as enquetes eleitorais promovidas em redes sociais que a colocam em primeiro lugar nas intenções de voto.

E faz questão de ressaltar o julgamento que faz de si mesma. Ela reconhece que não estava preparada para a eleição de 2016 e lembra que foi “empurrada” para a campanha, com o impedimento do pai e pela necessidade de uma chapa para abrigar os companheiros do grupo que pretendiam uma vaga na Câmara.

Em 2020, ela se vê muito mais preparada. Diz ter crescido politicamente com a campanha de 2016 e de lá até aqui ampliou sua sensibilidade social e administrativa. São visíveis nela a retórica modulada e o discurso formatado e convincente. Em suma, está mais candidata do que nunca.

Procurado, Toninho Minuci disse que retornaria o telefone para falar sobre a candidatura, mas não retornou.
O coordenador estadual do DEM, deputado Geninho Zuliane, receberia na noite de ontem, em Olímpia, Hélio, Toninho e Renata, mas, com o pai dele contaminado pela Covid 19, o encontro foi cancelado.

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