Ano letivo não foi perdido, mas conteúdo não aprendido deverá ser retomado em 2021

Gestores do ensino público defendem mecanismos que recuperem perda de conteúdo

 

A Secretaria de Educação pretende retomar as aulas presenciais a partir de 8 de setembro, a depender da situação dos níveis de contaminação do coronavírus. Para essa retomada, a Secretaria divulgou protocolos sanitários a serem adotados nas escolas, incluindo a redução do número de alunos em sala.
Para diretores de escolas e profissionais da área, o ano letivo ainda não está perdido, mas a especialista em educação pública, Dulce Ceneviva, defende a implantação de mecanismos que compensem a perda do conteúdo no período de aulas não presenciais no ano letivo de 2021.

Dulce diz que a pandemia agravou o abismo social, deixando-o visível no ensino, com escolas particulares dando aula online e estudantes da rede pública “na base do se vira nos trinta”, que sequer tem um espaço em casa para estudar muito menos equipamentos adequados, situação em que, as vezes, se encontra o próprio professor.

Apesar de todo imbróglio, Dulce não considera 2020 como um ano perdido. “Tenho certeza de que levaremos alguns anos para recuperar toda essa perda no aprendizado. Imagino que um programa de recuperação intensivo seja implantado e vá até 2022 pelo menos.”

Para a especialista, a avaliação do aluno no momento é o que menos importa. Ela crê que o importante é criar mecanismo nos próximos anos de recuperar o conteúdo perdido durante a pandemia. Feito isso, ela entende que haverá ganho enorme com a pandemia. “Penso que está sendo um ano de grande aprendizagem de vida, de convivência, de respeito e preocupação com o próximo e que os conteúdos que não foram ministrados durante esse período poderão ser ministrados em outro momento, sem que se necessite seriar em que ano foi ensinado.”

O professor aposentado Antônio Benedicto Lázaro de Pina também aponta a questão de classe social como diferencial no rendimento escolar e sucesso profissional do estudante. “É uma realidade previsível, com o ensino cada vez mais elitizado. Com alunos das privadas sem concorrentes na disputa de uma melhor vaga em faculdade ou de um melhor emprego”.

Como a pandemia, coincide com a falta de comando no Ministério da Educação, o professor defende que o estudante que teve o suporte tecnológico para aprender com as aulas não presenciais siga em frente, quem não teve, que fique retido na série em que está.

O assessor de Educação de Monte Aprazível, Pedro Poloto, diz no município não se trabalha com aulas online e sim atividades remotas, com encaminhamento de atividades, orientações e videoaulas que o aluno desenvolve de acordo com sua disponibilidade. Neste cenário, ele avalia que o aproveitamento está parcialmente atingido, mas não se trata de um ano perdido.

“É um ano atípico, com muitos prejuízos de aprendizagem.” Pedro também defende a revisão dos conteúdos dos próximos anos para atender as habilidades que não foram trabalhadas neste período.

Vânia de Almeida Leal, diretora do colégio Dom Bosco, de Monte Aprazível, diz entender que há diversos problemas na educação de modo geral, mas vê como positiva a experiência que o colégio vive nesse momento. “Fazemos uso de diversas ferramentas tecnológicas com as quais nossos alunos são assistidos continuamente para que o processo de ensino-aprendizagem se concretize”.

Vânia avalia o primeiro semestre como positivo “diante do contexto atual. Estamos cumprindo nosso calendário letivo de 200 dias, os professores foram capacitados para atuarem nessa nova modalidade de ensino, estão ministrando aulas por uma plataforma digital e o índice de comparecimento online dos alunos tem sido alto”.

A exemplo dos demais entrevistados, Vânia também não considera 2020 como um ano perdido. “Está sendo atípico, inusitado que a escola e outros segmentos da sociedade tiveram que se reinventar, sair da zona de conforto e buscar novos caminhos. A educação em momento algum parou. O que pensávamos ser o futuro da educação aconteceu da noite para o dia.”

Volta às aulas

O retorno previsto é para o dia 8 de setembro, após a apresentação do mapa de pandemia que será divulgado em coletiva no dia 4 de setembro pelo governo estadual.

A retomada será efetuada de forma gradual em três etapas: a primeira até 35% do público em sala de aula, a segunda até 70% do público em sala de aula e a terceira até 100% do público em sala de aula.

As etapas 2 e 3 serão implementadas com o estado verde (fase final) da pandemia. Se uma região regredir para as fases laranja ou vermelha a reabertura será suspensa naquela região.

As condições para reabertura são distanciamento obrigatório de 1,5 metro nas salas e demais dependência, uso de máscaras por professores e alunos, higienização de carteiras e outros objetos de contato, revezamento no horário do recreio entre outras determinações.

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