Tanabi e Monte Aprazível terão até 378 candidatos disputando a eleição de vereador

Partidos estão obrigados a inscrever 44 candidaturas femininas em Monte e 78 em Tanabi

 

Não será tarefa fácil aos eleitores de Monte Aprazível e Tanabi separarem o joio do trigo eleitoral para escolher quem colocar na Câmara de cada cidade. Será uma eleição disputadíssima, com um batalhão de candidatos nunca visto antes. Em Tanabi serão até 221 candidatos e em Monte 154.

PP, DEM, Podemos, PDT, PSB, PSD, PRTB, PL, PTB, Republicanos, PSOL, PSDB, MDB, compõem a sopa eleitoral de letrinhas das treze siglas que terão chapas nas eleições municipais em Tanabi. Juntas, podem somar 224 pretendentes a um salário de quase R$ 5 mil. Obrigatoriamente, serão 78 candidaturas femininas.

Em Monte Aprazível, estarão na disputa à Câmara, PP, PV, PTB, PRP DEM, PROS, PSL, PRTB, Avante, Republicanos, que somarão até 154 candidaturas, 44 de mulheres, obrigatórias, em busca de um salário de R$ 4.040,00.

Nas últimas eleições municipais, em 2016, em Tanabi, concorreram 91 candidatos, incluindo 36 mulheres. Agora, somente elas serão 78 ou mais.

A soma dos candidatos em Monte Aprazível, em 2016, foi de 86, sendo 33 mulheres. Nesta eleição, os partidos estarão obrigados a arregimentar, somente candidatas, 44.

O quadro revela ainda, o recuo dos partidos mais tradicionais da esquerda nas duas cidades. Em Tanabi, o PC do B, do ex-prefeito José Francisco de Mattos Neto, está fora da disputa. Em Monte Aprazível, o PT. Desde de 1992, será a primeira vez que o partido não participa das eleições. O Partido dos Trabalhadores teve candidato a vice, Junara Montandon, em 2000; elegeu o vice Toninho Minuci em 2012, a vereadora Professora Adriana, no mesmo ano, mesma legislatura em que o farmacêutico Nereu Paschoali, suplente, assumiu o cargo por curto período. O PT de Tanabi, que elegeu Bel Repizo à prefeitura e Fabrício Missena, à Câmara, também não participa este ano.

Partido de centro direita, no histórico MDB de Monte, sob a presidência de Eloy Gonçalves Junior, tem sido rotina não ter candidato a apresentar ao eleitor há mais de década.

Candidatos

A enxurrada de candidatos nestas eleições foi provocada pela mudança na legislação eleitoral que impede que vários partidos se coliguem em uma única chapa. A ideia era combater os chamados “partidos de aluguel” (agremiações sem estrutura que se uniam em torno do partido majoritário com candidato a prefeito). Na prática, o objetivo não foi alcançado e vai provocar outros efeitos colaterais, como aumento de gastos bancados pelos candidatos a prefeitos e a pulverização de votos, diminuindo a representatividade daqueles que serão eleitos.

Para o eleitor, o ganho é nulo, já que a proliferação de candidatos é só quantitativa.
Dirigentes dos partidos maiores, nas duas cidades, não acreditam que os chamados partidos nanicos consigam formar chapas completas. Em Tanabi, com onze cadeiras em disputas, cada sigla pode apresentar 17 candidatos, sendo obrigatórias seis candidaturas femininas; em Monte, nove cadeiras, dá direito a 14, sendo quatro mulheres.

Presidentes de pequenos partidos ouvidos por A Voz garantem que formarão chapas completas. Eles estão bem cientes de que não tendo os chamados “puxadores de votos” (candidatos com votação expressiva), precisam inscrever chapa completa para atingir o coeficiente eleitoral, sem o qual, um candidato com centenas de votos não será eleito.

O coeficiente eleitoral é medido pela divisão do número de votos válidos, pelo número de cadeira (ler matéria abaixo)

Mulheres

As candidatas mulheres tem reserva obrigatória de 30% das vagas na chapa. Até aqui, convencê-las a se candidatarem tem sido trabalho difícil. O cenário muda nessa eleição municipal. Desde a eleição de 2018, o TSE obriga que o Fundo Eleitoral, cifra de R$ 2 bilhões a ser dividido entre os partidos, a ser gasto com campanhas tenha um percentual de 30% para mulheres. Por se tratar de política de inclusão, e não de privilégio, candidatos homens não recebem ajuda. Será um estímulo grande às candidaturas femininas.

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