Eleição em 4 de outubro beneficia prefeitos e vereadores

Apesar de o Senado, por folgada maioria de 60 dos 81 votos, ter aprovado o adiamento das eleições para o 15 de novembro e segundo turno para 29, dificilmente esse arranjo vai passar na Câmara dos Deputados. Entre os deputados, apenas os parlamentares de partidos de esquerda (PT, PC do B, PSB, PDT, Rede, PV e PSOL) e algumas lideranças do DEM, MDB e PSDB estão fechados com a proposta, em oposição aos partidos abrigados no Centrão.

Representantes do Centrão e deputados do “baixo clero” (parlamentares de pouca expressão) defendem os interesses de prefeitos e vereadores com mandatos, que querem a data original de 4 de outubro ou mesmo a prorrogação dos atuais mandatos para 22. Como o Tribunal Superior Eleitoral não permitirá a prorrogação, o 4 de outubro pode ser mantido.

Os atuais prefeitos e vereadores têm motivos de sobra para as eleições já. Para os primeiros, o refresco da compensação federal em virtude da queda na arrecadação cessa em agosto e eles temem estar com o caixa vazio até para pagar salários em novembro.

Será uma campanha eleitoral muito difícil, com o impedimento de aglomerações e com o eleitor avesso ao contato físico, a tapinha nas costas, o abraço e criancinha no colo. Neste cenário, donos de mandatos, mais conhecidos do eleitor, levam vantagem.

Com a eleição em novembro, ficam mantidos os atuais prazos eleitorais, que estabelece o início da campanha em 16 de agosto. Adversários dos atuais prefeitos e vereadores ganham mais trinta dias para convencer o eleitor.

Em relação à data, a certeza é de que as eleições ocorram em 2020, mas será difícil cravar se outubro ou novembro.

A previsão era que as datas aprovadas no Senado fossem votadas ontem na Câmara. Como se trata de emenda Constitucional, o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia, ciente de não haver os 308 votos necessários, retirou-a da pauta. A votação deve se realizar no decorrer da semana.

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