Setor moveleiro retoma níveis da produção prepandêmica com o isolamento e e-commerce

Famílias em casa perceberam a necessidade de trocar móveis e adequar espaços

 

Ironicamente, a pandemia acabou por beneficiar a indústria moveleira e até a construção civil. Com as pessoas trancadas em casa, as famílias perceberam a necessidade de trocar os móveis, fazer pequenos consertos e adequar espaços e decoração para o que está sendo chamado de o novo normal. Dessa forma, toda demanda represada veio à tona com a flexibilização, fazendo com que a produção das fábricas voltasse aos índices pré-pandêmicos.

Antônio Aparecido Minuci, da MM Gabinetes, de Monte Aprazível, diz que quando o comércio fechou em 24 de março a sua linha de produção parou, depois o setor da construção civil foi posteriormente considerado setor essencial, as lojas começaram a abrir devagar, mas nesse primeiro momento eles não queriam receber visita presencial dos representantes comerciais e a coisa continuou parada. Depois que o tempo foi passando, a produção foi sendo retomada. “Não sei precisar o percentual, mas hoje estamos produzindo bem, igual a antes da pandemia.

Toninho aponta ainda outro fator, a economia que as famílias estão fazendo sem poder ir a shoppings, restaurantes, viajar. “Em casa, perceberam a necessidade de trocar de móveis e fazer pequenos reparos, principalmente no setor de acabamento, que é o nosso segmento. Por isso, hoje a produção voltou com força total pelo menos por enquanto”.

Já a perspectiva para os próximos meses, segundo Minuci, é uma incógnita. “A gente não sabe como as pessoas vão reagir. Não sabemos se continuarão comprando, se a partir do momento em que reabrir tudo elas voltam a gastar dinheiro em outras coisas e deixam um pouco de gastar no segmento da construção civil.” Porém, o empresário lembra que o forte do segmento é o segundo semestre “e isso (demanda) deve continuar nos próximos meses.”

A MM Gabinetes é fornecedora ancorada em lojas físicas e sentiu a evolução das vendas online e e-comerce. “Nós temos lojistas que vendem pela internet e a gente percebeu que isso cresceu muito. Isso já vinha num crescimento antes e com o advento da pandemia esse setor cresceu muito e a gente acredita que tende a continuar em crescimento, porque a comodidade das pessoas de fazer as compras sem sair de casa, receber o produto em casa, então temos certeza que esse setor continuará em crescimento e nós estamos atentos a essa tendência do mercado e claro que estamos nos adaptando a essa ferramenta de venda que deve continuar e que veio para ficar”.

Rodrigo Bechara, diretor da JB Bechara, de Tanabi, diz que no primeiro momento a empresa optou por suspender completamente o contrato de trabalho com seus funcionários, que durou aproximadamente 60 dias e agora nos últimos 45 dias a empresa está com redução de jornada de trabalho de 50%, mas, segundo ele, o contrato deve acabar no final do mês e a produção deve voltar ao normal com jornada normal de trabalho”.

A expectativa para os próximos meses, de acordo com Rodrigo, é boa para o setor moveleiro, porque o governo com o auxílio emergencial de R$ 600,00 e o saque do FGTS acabou dando liquidez para o mercado e “a gente acredita que com as pessoas dentro de casa e com um pouco de dinheiro, estão olhando os seus móveis e percebendo a necessidade de trocá-los”.

A indústria de Rodrigo tem vendas tanto físicas como online, mas ele diz que é perceptível que atualmente os clientes de e-comerce aumentaram. “Posso dizer em torno de 150% o aumento nas compras online nas nossas fábricas. Para se ter uma ideia, antes da pandemia o e-comerce representava em torno de R$ 300 mil do meu faturamento, hoje representa aproximadamente R$ 800 mil por mês do meu faturamento, ou seja, é uma crescente exponencial.”

Vendas Internacionais

Rodrigo diz que as vendas internacionais neste momento não aumentaram. O que houve foi aumento na procura. “Estamos tendo muita cotação, estamos vendo muitas pessoas interessadas, mas esse movimento que nós estamos presenciando no Brasil pelo menos nos nossos clientes da América Latina ainda não tiveram esse mesmo efeito e com relação aos Estados Unidos a gente percebe um aquecimento um pouco maior, principalmente pela liquidez que o governo está jogando lá nas pessoas”.

O fato tem feito com que a JB Bechara foque nos próximos meses no mercado internacional também. “Nós temos algo muito positivo nesse sentido, que é o dólar, que perto dos R$ 5,00 viabiliza muito as nossas exportações. A gente pode inclusive reduzir um pouco o preço no mercado internacional em decorrência dessa valorização do dólar. Diante disso, acredito que uma das saídas para nós seja o mercado internacional, porque esse bom momento acreditamos que seja algo temporal e que essa crise deve chegar em nós no primeiro semestre do ano que vem e uma forma de diversificar risco é optando de uma maneira mais acentuada para o mercado internacional e não ficar somente dependente do mercado doméstico e o foco para onde podemos atuar é tanto a América Latina, pela facilidade da língua e da cultura, como nos estados Unidos que é um mercado potencial de e commerce muito grande e um pouco para a África também em alguns países que nós já temos um certo elo comercial importante”.

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