Trabalhadores precários sofrem mais com a pandemia

Os mototaxistas sentem os impactos do novo coronavírus com mais rigor. A categoria diz que caiu o número de passageiros, afetando a única fonte de renda que tem, está mais exposta aos os riscos de contágio do Covid-19 e não possui nenhum direito trabalhista que o ampare e mitigue a queda na renda.

As centrais de mototáxi permaneceram por 20 dias fechadas no início da pandemia, ocasião em que os mototaxistas afirmam ter ficado sem nenhum rendimento. A reabertura gradual do comércio começou a melhorar o movimento, mas, segundo informam, tem clientes que evitam as corridas.

A mototaxista Joelma Ferreira da Silva diz que tem se virado como pode nesse período de pandemia. Além das corridas de mototáxi, ela realiza entrega de lanches e faz serviços de delivery para o comércio. Ela conta que nos primeiros 20 dias ficou sem nenhum dinheiro. “Com a reabertura do comércio melhorou o movimento. Não 100%, mas uns 70% já melhorou. O problema é que há pessoas que ainda tem dúvida se pode andar de mototáxi”.

Sem os níveis de renda necessários para a manutenção da moto e para o pagamento da baia diária, Joelma encontrou no irmão a ajuda necessária para enfrentar esse momento. “Conto com a ajuda do meu irmão para me manter, porque ele não perdeu o emprego”. Joelma também tem ganhado fôlego com o auxílio emergencial do governo. “Foi uma ajuda com a qual eu consegui pagar a água e energia que estavam atrasadas”.

Dada a proximidade com o passageiro, Joelma considera o trabalho de risco. “A gente fica muito próximo e há contato físico, porque normalmente eles se apoiam no nosso ombro, mas temos tomado todas as medidas de segurança e de higiene. Compramos capacetes abertos para os passageiros, usamos e exigimos o uso de máscaras, higienizamos nosso capacete e do passageiro com álcool 70% sempre após as corridas, lavamos as mãos com água e sabão e passamos álcool em gel 70%. Mesmo assim tem alguns passageiros que evitam as corridas”, enfatiza.

O mototaxistas Adriano da Silva Povo diz que está se virando “como dá” apenas com as corridas do dia a dia por quem usa o serviço de mototáxi. Adriano teve o auxílio emergencial do governo negado porque em 2018 trabalhava na usina e declarou imposto de renda. “O governo considera que estou empregado, mas já faz dois anos que voltei para o mototáxi e esse dinheiro está me fazendo muita falta”, queixa-se.

Para ele, a situação tem melhorado, mas o rendimento está longe do normal. “No fechamento total eu fazia em média 3 serviços de delivery por dia, uma média de R$ 15,00 por dia. Um pai de família não coloca comida na mesa com esse dinheiro por dia. O que me ajuda muito é que tenho uns clientes fixos, que dão preferência para mim nas corridas”.

Manoel Paulino diz que a situação está difícil. “Estamos ganhando a metade do que ganhávamos antes da pandemia. O que está me ajudando é o auxílio emergencial que estou recebendo, porque o que ganhamos com as corridas é só para pagar as contas. Ainda não podemos reclamar porque tem várias pessoas pior que a gente, mas está difícil. Durante o fechamento da central por 20 dias fiquei completamente sem dinheiro, não tenho vergonha de falar. Minha preocupação é quando o auxílio emergencial acabar, o que faremos se o movimento não voltar a ser igual antes”, diz.

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