Professor “ressuscita” e fabrica em casa o sabor veneza do sorveteiro Abílio Priuli

Filho “agregado” do falecido dono do desaparecido Bar São Pedro, resgata o ícone gelado dos anos 60 e 70

 

O professor Pedro Santana de Oliveira esperou a aposentadoria para recuperar um ícone da culinária de Monte Aprazível, o sorvete de Veneza, criado pelo sorveteiro Abílio Priuli em 1.952, e que teve a produção paralisada em 2005. Pedro está fabricando em casa, não só o Veneza, como outras receitas do mestre, à base de frutas e leite.

Pedro conta que sempre teve vontade de fabricar os sorvetes e que recebia muitos pedidos de apreciadores do sorvete do Abílio, mas como lecionava Geografia e História foi protelando o desejo. Aposentado há um ano, finalmente encontrou motivação para retomar as receitas do mestre. Comprou uma máquina de fazer sorvete usada e deu início ao que chama de testes. Há três meses começou a fabricar sorvetes veneza, abacaxi, milho verde, coco branco, coco queimado e maracujá, todos naturais, à base de frutas e leite. O mais famoso deles, o veneza, é fabricado, segundo Pedro, à base de leite e açúcar queimado. “O segredo é o ponto certo, porque se tirar antes o açúcar ele fica branco e se tirar depois, fica amargo”.

Por enquanto, ele está fabricando e vendendo em casa, mas diz que “se os testes derem certo” pretende abrir um espaço para fazer e entregar. Ele conta que a iniciativa tem sido recebida por quem fica sabendo que ele está produzindo os sorvetes. “As pessoas tem ido até minha casa com vasilhas para comprar o sorvete e dizem que acharam que iriam ficar órfãs desse sorvete. A procura é principalmente por pessoas mais antigas que apreciavam o sorvete do Abílio”.

Filho de pais separados, morando com a mãe, aos 7 anos, Pedro ficou órfão. Depois de morar com parentes, veio para Monte Aprazível morar com um meio irmão, ocasião em que soube que Abílio precisava de um empregado. Aos 12 anos começou a trabalhar no bar do Abílio; foi convidado um dia para almoçar, no outro para jantar, no outro para dormir e ficou de vez morando com a família.

Pedro aprendeu todas as receitas de Abílio, tanto as dos sorvetes como a do bauru, que também era famoso. Ele conta que “nos últimos 27 anos do bar quem fazia o sorvete era eu”. Apesar de lecionar, Pedro continuou ajudando no bar nas horas vagas até seu fechamento em 2012.

Ele diz considerar Abílio como seu pai. “A educação e o caráter que tenho devo a ele. Sempre me trataram como da família. Quando viajavam me levavam junto, todo aniversário meu faziam bolo e festa. Me fizeram até uma caderneta de poupança. Os filhos do Abílio sempre me trataram como irmão.”

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