Mortes por Covid 19 assombram; Monte tem o mais alto índice de letalidade da região

Para vereador, saúde falha na identificação de doentes que circulam pela cidade espalhando o vírus

 

Monte Aprazível é a cidade da região de Rio Preto em que o coronavírus mais mata, em números relativos. O índice de letalidade na cidade é de 4,3%, taxa muito acima das verificadas em cidades do mesmo porte como Tanabi e mesmo Rio Preto, com uma população vinte vezes maior. Monte supera até o índice nacional, fechado em 3,75%, conforme dados da última quinta-feira.

Procurada para falar sobre esse destaque negativo ostentado por Monte Aprazível, a assessora de Saúde do município, Juliana Alcazas, indicou a enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica, Élida Cúrtulo, para falar sobre o assunto, mas ela não atendeu ao pedido de entrevista do jornal para abordar o assunto.

A realidade em Tanabi, tendo a mesma população de Monte Aprazível, distante a 15 quilômetros e com atividade industrial mais relevante, com concentração de mais de dois mil empregados em cinco fábricas, é bem mais confortável. O município vizinho registrou até a última quinta-feira 270 casos de contaminação, com 7 mortes, uma letalidade de 2,6 pessoas para cem contaminados contaminadas, enquanto que em Monte, para cada grupo de cem pessoas com a doença, 4,3 vão a óbito.

Na última quinta-feira, a Secretaria Estadual da Saúde registrou em Monte Aprazível 138 casos positivos para a doença e seis mortes. Pelo site do órgão, a letalidade em Monte Aprazível é significativa comparando-a com todos os municípios do Estado, desprezando-se os municípios com população menor de cinco mil pessoas e número de contaminados muito pequeno, situação estatisticamente desprezível para comparação, como é o caso de Poloni, com apenas dezessete contaminados e uma morte.

O índice de letalidade em José Bonifácio é de 2,9 óbitos por cem contaminados, Mirassol, de 3,6, Rio Preto de 2,9, com destaque para Jales, de 1,9, Jaci, 1,4 e Nova Granada, 1 para cada cem.

Essa disparidade no número de óbitos tem relação com a preocupação do vereador Lelo Maset na identificação e isolamento de pessoas contaminadas. Para o vereador, Monte Aprazível está pecando nas ações. Ele acha que o município deve determinar barreiras sanitárias, fazer testes rápidos, distribuir máscaras e disponibilizar equipe de profissionais da saúde na Rua Brasil, para verificar a temperatura de trabalhadores do comércio e das pessoas nos pontos de maior circulação. Para ele, além da buscativa de pessoas com sintomas para que sejam orientadas a buscar tratamento médico ou permanecer em casa de quarentena, é preciso realizar testes. “Eu acho o teste essencial para a detecção e isolamento dos infectados. A falta de teste e o índice elevado de mortes são indicativos de que o número real de casos é muito maior do que o anunciado. Se testar, esse número certamente aumentará, mas será mais seguro para a população porque serão isolados os infectados. Sem testes, têm muitas pessoas assintomáticas andando pelas ruas e contaminando outras pessoas”, enfatiza.

Lelo diz que se “o município não tem capacidade de criar ações para conter a Covid 19 que copie de cidades vizinhas que estão fazendo ações que tem dado resultado, porque dinheiro tanto federal, quanto estadual e municipal para isso tem. Basta ter criatividade e boa vontade. A prefeitura comprou 25 mil máscaras, mas ainda não vi aonde foram distribuídas. Se não tiver pessoal de saúde para colocar na rua, que contrate temporariamente em caráter emergencial para fazer essas ações, porque como já disse dinheiro para tanto tem”.

Mas Lelo também cobra consciência da população. “O poder público tem falhas, mas a população também tem sua parcela de responsabilidade, porque tem pessoas que não estão levando a sério a grave situação pela qual estamos passando”.

Mudança de rotina

Na Santa Casa de Monte Aprazível a rotina está totalmente mudada desde que teve início a pandemia. O provedor João Roberto Camargo diz que “mudou tudo. O comportamento no trabalho, o posicionamento dos funcionários, a dificuldade de logística e o risco de contaminação aumentou, há falta de vagas para encaminhamento porque o hospital de referência do Covid que é o HB está lotado, aumentaram as despesas com pessoal e com medicamentos. Estou aguardando a aprovação do plano de trabalho do hospital pelo governo para poder aplicar o recurso do Ministério da Saúde”.

Por todas essas razões, Camargo considera a medida da prefeitura em abrir comércio uma hora mais tarde e fechar uma hora mais cedo como protetiva. “O prefeito está pensando no bem da coletividade. O momento agora é de esforço de todos, de união de todas as classes, do comércio, da população e do poder público”.

 

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