Rodrigo Bechara quer trocar direção de empresa centenária por prefeitura de Tanabi

Representante da quarta geração dos Nassar Frange, vereador espera o tempo político para aceitar proposta dos tios

 

Jorge, Marcos e Isabel, executivos da mais antiga e tradicional indústria da região, estão prontos para passar a sucessão do grupo familiar para o sobrinho Rodrigo Bechara para que um membro da quarta geração do fundador inicie a jornada do segundo centenário do grupo.

Rodrigo aceita com gosto a incumbência e o desafio, mas pediu um tempo aos tios até setembro para definir seu futuro na política. E sua pretensão nela não é pequena. Ele não cogita de uma reeleição à Câmara, cargo que conquistou na eleição passada; ele pretende viabilizar sua candidatura a prefeito até agosto, período em que a convenções partidárias definem as candidaturas.

“Conduzi meu mandato de vereador com muita dedicação e empenho e a experiência foi muito gratificante e enriquecedora, mas assumi o compromisso com o meu partido, o Podemos, de não disputar a reeleição e trabalhar na formação de novas lideranças, com a eleição de ao menos dois vereadores. Mas, não quero deixar a política e meu nome vai estar nas urnas, como prefeito, embora estou aberto ao diálogo e posso aceitar o cargo de vice se for convencido de isso é mais viável para o desenvolvimento de Tanabi e para o bem estar dos tanabienses”, afirmou.

Jorge Bechara é um entusiasta da candidatura do sobrinho. “Eu fui vereador, participei da vida pública de Tanabi, como secretário municipal de obras, e invejo o idealismo do Rodrigo em trabalhar por uma cidade melhor e pelo desenvolvimento econômico e social de Tanabi. Eu confio na capacidade administrativa dele, no projeto que tem para cidade. Como empresários, eu e meus irmãos, não iríamos estar de acordo com a candidatura dele, porque sabemos o quanto é ruim para as indústrias e para o trabalhadores ter um prefeito sem visão do futuro e sem projeto de desenvolvimento para a cidade.”

O projeto

Rodrigo pondera que sua pretensão em ser prefeito de Tanabi não tem nada de vaidade pessoal, tem um pouco de sentimentalismo, da ideia de retribuição, de retornar à cidade parte dos benefícios recebidos dela e muito de resgate histórico de um passado de oportunidades que a cidade não oferece mais hoje. “As indústrias Bechara completam cem anos em 2021 e me vem à cabeça a história de meu bisavô, um libanês que chegou aqui em 1921, como milhares de outros imigrantes, que vieram para na mesma época e encontraram oportunidades de produzir e dividir riquezas. Eu não penso em uma volta ao passado, eu penso em recriar as condições de oportunidades, de bem estar e segurança social e familiar que existiam no passado.”

O candidato entende que para se resgatar as oportunidades do passado é preciso ter os olhos postos no futuro. “Eu sou um nome novo na política, como muitos outros pretendentes são. Isso conta muito pouco, porque a política é tão velha como a humanidade. O que importa é renovar as formas fazer política, de como praticar a política. É preciso ter uma visão nova para cidade, pensando a cidade como espaço de todos que nela moram. A cidade não pode ser vista de forma pessoal, como a rua do fulano, a casa do sicrano. As políticas públicas de saúde, educação, urbanismo devem ser ações amplas e plurais, que contemplem expectativas mais gerais da população.”

Segundo ele, a sua candidatura surge em favor desses novos conceitos administrativos que defende. “Tanabi precisa se renovar, com ideias, para recriar o ambiente de oportunidade para todos que tínhamos há cem anos. E essa renovação se dá com novas ideias e conceitos de gestão administrativa e política afinadas com as boas práticas de governança, ética, moralidade, impessoalidade, com a participação mais efetiva e ampla das lideranças empresariais, religiosas, culturais e comunitárias. O prefeito deverá olhar nessa direção, para o coração da cidade, e não ficar admirando o próprio umbigo ou fazendo política para poucos.”

Rodrigo lembra da necessidade de modernizar a gestão. “A impressão que tenho é de um descompasso entre a população e o poder público. Temos uma população muito bem informada, muito exigente e consciente de seus direitos, que sabe de suas demandas por serviços, uma população capaz de empreender, aproveitar as oportunidades e do outro lado, temos uma administração atrasada, que não entende essa nova linguagem da população. É preciso que a prefeitura aprenda essa nova linguagem, para dialogar com a população e entender as suas aspirações e traduzir isso em políticas públicas”, defende Rodrigo.

O Grupo

O Grupo Bechara tem sua origem na marcenaria do imigrante libanês Bechara Nassar Frange, em 1921. A marcenaria teve sequência com os filhos, Jorge e Nazir, passou a ser comandada pelos netos Jorgito, Marcos, Bel e Leila, cujo filho, Rodrigo, representa a quarta geração.

O Grupo emprega hoje cerca de quinhentos trabalhadores, com atuação em todo o Brasil e seus produtos estão presentes em cinco continentes. Com a pandemia, a atenção ao comércio eletrônico e mercado externo foi intensificada.

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