Pandemia impede acordo entre Moreno e fornecedores que deixam de receber R$ 70 mi

Pagamento deveria sair em maio, mas isolamento social impediu assembleia para homologar a negociação

 

A pandemia do novo coronavírus está agravando a situação financeira dos fornecedores de cana da Usina Moreno, que passa pro processo de recuperação judicial. O recebimento dos créditos de mais de R$ 70 milhões dos fornecedores, definido em acordo coletivo com a empresa, previsto para maio ficou, se tudo correr bem, para setembro, um atraso de 4 meses. Com o isolamento social e a proibição de aglomeração, não foi possível realizar a assembleia de homologação do acordo

Donaldo Luis Paiola, que representa os fornecedores da Aplacana e parceiros arrendantes, conta que em reunião com o grupo Moreno ficou decidido que os fornecedores e parceiros que continuarem a ter vínculo com o Moreno receberiam os créditos parcelados da seguinte forma: valores até R$ 19 mil seriam pagos até 30 dias após a assembleia, valores acima de R$ 19 mil até R$ 100 mil serão pagos em 24 parcelas iguais e mensais, iniciando-se o primeiro pagamento 30 dias após a aprovação da assembleia e valores acima de R$ 100 mil o pagamento será efetuado em 36 parcelas iguais e mensais com início 30 dias após a aprovação da assembleia.

A assembleia, inicialmente estava prevista para ser realizada no mês de abril, mas em razão do Covid-19 foi adiada para o dia 23 deste mês e não sendo aprovada a segunda convocação seria para o dia 30 de julho. Mas, segundo Paiola, a assembleia presencial foi novamente adiada e com a proibição de aglomerações em razão da pandemia a primeira convocação para a assembleia geral dos credores será virtual, no dia 7 de agosto e caso não seja aprovada, a segunda convocação será para o dia 14 de agosto. Portanto, aprovado o acordo, o pagamento integral e os parcelamento ficarão para 14 de setembro.

Paiola diz que o processo de recuperação judicial da Moreno está com 51.787 páginas e aproximadamente 7 mil credores, “daí a complexidade do procedimento judicial”. Só para os fornecedores e parceiros da Aplacana calcula-se, segundo Paiola, que a Moreno deva mais de R$ 70 milhões.

Paiola afirma que as tratativas que foram realizadas com o grupo Moreno estão mantidas. Ele diz que o ideal seria que a Moreno pagasse os fornecedores e parceiros, “mas já que não o fez o que nos restou foi o acordo, que está longe de ser o ideal, mas foi o que nos restou”, enfatiza.

Ele finaliza dizendo que “é melhor a assembleia dos planos apresentados pelo grupo Moreno ser aprovada do que a ocorrência de uma falência do grupo”.

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