Novo normal vai agravar a sustentabilidade do planeta

O mundo vai acabar em plástico. O pós-pandemia deve aumentar muito a utilização de material plástico não reciclável. Além de luvas, protetores faciais, capas impermeáveis usados por profissionais da saúde e pessoas comuns, as embalagens de produtos frescos de mercado, padaria e restaurantes estão sendo embalados em plástico, escritórios estão cobrindo móveis e equipamentos com plástico no mundo todo. A produção da indústria de plástico cresceu 10% no mundo todo. A Voz Regional ouviu a engenheira de materiais e ambientalista para saber como os defensores de um planeta sustentável veem essa questão.

Adriana Pinatti diz que há grande esforço par combater e evitar a contaminação por coronavírus, o que aumentou o consumo por plástico de embalagens e EPIs como luvas e máscaras. “Bares servem bebidas em copos plásticos e os alimentos estão sendo embrulhados mais do que nunca em plástico. Muitos estão cobrindo tudo de plástico, de maçanetas e botões de elevador”.

Tudo isso, segundo ela, faz crescer muito a produção de lixo plástico, especialmente plástico que não será reciclado. “Outra preocupação é que esses materiais podem estar contaminados e estão sendo descartados da mesma forma que eram antes da pandemia e são nas superfícies plásticas e metálicas que o vírus permanece mais tempo ativo. São 72 horas de vida de vírus sobre plásticos”.

Ela diz que no mundo aproveita-se desse clima de pandemia para interromper suspensões ou proibições de medidas ambientais conquistadas com esforço para reduzir a poluição de plásticos. “A boiada também passa pelo mundo”.

Adriana diz compreender que o momento que vivemos é extremo pelo risco para a vida humana e que esse consumo é extraordinário no nosso tempo. “Isso vai passar num médio prazo, até que vacinas surjam e coloquem a humanidade em segurança novamente, mas não podemos esquecer que além da ameaça do Covid-19, estamos na eminência do esgotamento dos recursos naturais que são igualmente importantes para a manutenção da vida humana”.

Ela diz que “como cidadãos consumidores, precisamos tomar todo cuidado com a contaminação dos objetos e alimentos que nos rodeiam, sem esquecer de agir com especial atenção no manuseio dos plásticos desde a saída da loja e do supermercado. Podemos continuar evitando o uso excessivo de plástico. Se o alimento já tem embalagem, não precisa embalar novamente com saquinho plástico. Continuamos tentando reduzir o consumo de plástico. Ao receber o produto em casa, faça imediatamente a sua assepsia com álcool, sabão e água ou solução com água sanitária. Limpe os produtos e também as embalagens plásticas. Reaproveite as embalagens que foram devidamente limpas. Use máscaras laváveis e reutilizáveis. Separe lixo seco e lixo úmido (restos de alimentos). Faça em casa a compostagem com restos de cascas e folhas de alimentos crus e plante uma horta. Seus alimentos serão livres de venenos e plásticos e por fim, o lixo plástico gerado pelo setor da saúde deve ser recolhido e incinerado por empresas autorizadas pela Anvisa”.

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